"Quando eu era pequenina, acreditava que as estrelas me ouviam, quando eu espreitava pela janela e olhava para a noite escura. Falava com elas de mansinho, devagar e baixinho para que ninguém me pudesse ouvir, e tinha a certeza de que elas, a brilharem lá em cima, percebiam tudo o que eu dizia. Mas agora, que já tenho dez anos, não acredito nas estrelas. Se elas fossem boazinhas, se elas me ouvissem de verdade, eu não precisava de estar aqui escondida debaixo dos cobertores, a a cantar uma musica dentro da minha cabeça para ver se o medo foge.
Também já não acredito em fadas nem em anjos-da-guarda como me ensinou a professora da escola.
É tudo mentira. Se eles existissem, e as estrelas fossem minhas amigas eu não estava aqui. Mas estou."
Ela já não acredita. Mas eu tenho 17 anos, e ainda acredito que as estrelas me ouvem, as fadas existem e os anjos-da-guarda me protegem. Se assim não fosse, eu estaria escondida debaixo dos cobertores, a cantar uma música qualquer dentro da minha cabeça, para ver se não tinha medo de mais nada.
17 de fevereiro de 2008
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